quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

QUARESMA: PENITÊNCIA E A JUSTIFICAÇÃO (PARTE I)


Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.” (Romanos 5:18)

Após o Carnaval, há um período que a Igreja Católica Romana denomina de Quaresma. São quarenta dias que seguem da Quarta-Feira de Cinzas, até a véspera da Páscoa. Após o segundo século, o jejum pré-pascal, a princípio, era bem curto; mas, gradualmente, foi-se ampliando para incluir a Semana Santa, e, então, a décima parte de um ano, e, finalmente, quarenta dias.

Esses quarenta dias foram estabelecidos devido ao período que o Senhor Jesus foi tentado no deserto por Satanás. Então, a igreja romana passou a associá-lo com o tempo de quaresma realizado pelo fiel católico. Como o profº Felipe Aquino explica:


Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Daí surgiu a Quaresma.” (http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2014/03/06/como-viver-bem-o-tempo-da-quaresma/)

A quaresma era também na antiguidade um período de preparação para o batismo, durante a páscoa, e para a penitência pública por parte dos candidatos ao batismo. Gradualmente, porém, foi envolvendo uma aplicação universal, para todos os católicos romanos. Hoje essa pratica está intrinsecamente ligada ao sacramento* da Penitência.  

*Para entender sobre o que são os Sacramentos e sua relação com a salvação do fiel, leia esse artigo: http://apologeticageral.blogspot.com.br/2015/11/os-sacramentos-e-salvacao.html

Como todo o sacramento - na visão católico romana -, este também está ligado a obtenção da graça de Deus na realização de alguma obra por parte dos fiéis. Vejamos o que o Catecismo da Igreja Católica disserta sobre este sacramento:

Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia divina o perdão da ofensa feita a Deus e ao mesmo tempo são reconciliados com a Igreja que feriram pecando, e a qual colabora para sua conversão com caridade exemplo e orações.” (Catecismo da Igreja Católica – Parágrafo 1422 - http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap1_1420-1532_po.html)

Logo na primeira frase do parágrafo vemos um erro drástico. Um discurso diametralmente oposto ao que ensina a Bíblia sobre a misericórdia e o perdão divino. Notem essa passagem do catecismo: “Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia divina o perdão da ofensa feita a Deus...”. Há compatibilidade bíblica nesta declaração, e o que nos expôs Paulo no verso que iniciei essa sessão? Paulo diz que a ofensa de um homem colocou toda a humanidade em estado de pecado, e, sujeito ao juízo de Deus. Ou seja, a condenação. Mas, por um ato de justiça de um Único Homem, a saber o Senhor Jesus, a GRAÇA JUSTIFICADORA DE DEUS nos alcançou.

Essa é a grande diferença entre Catolicismo Romano e o Cristianismo Bíblico. A Teologia Reformada percebeu esse grande erro durante o decorrer da história, e isso culminou na Reforma. O Catolicismo Romano associa diretamente as OBRAS DE JUSTIÇA que devem ser praticadas pelos católicos, como que práticas justificativas diante de Deus.

Agora notemos a continuação do parágrafo catequético: “...e ao mesmo tempo são reconciliados com a Igreja que feriram pecando...” Outro equívoco grandessíssimo nesta passagem. De acordo com a declaração, o pecador comete ofensa contra a igreja e precisa ser reconciliado com esta. Pergunta: Onde está escrito isso na Bíblia? Aqui é pervertida toda a definição de pecado ensinada na Escritura. Segundo a Bíblia, o pecado é a desconformidade da lei moral de Deus em atitude de ação, e até mesmo de natureza. Isso porque nós não somos pecadores por cometermos pecado; somos pecadores por sermos naturalmente dispostos a isso. Conclui-se então que, não são apenas as ações individuais, como mentir, roubar ou matar, mas também as atitudes que são naturalmente contrárias à perfeição de Deus, ou seja, a disposição e inclinação ao pecado:

O Senhor viu que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a intenção dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.” (Gênesis 6:5)

"Enganoso é o coração acima de todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9)

De fato, tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas. Eles afirmam que conhecem a Deus, mas por seus atos o negam; são detestáveis, desobedientes e desqualificados para qualquer boa obra.” (Tito 1:15-16)

O coração dos homens, além do mais, está cheio de maldade e de loucura durante toda a vida; e por fim eles se juntarão aos mortos.” (Eclesiastes 9:3) 

Além do mais, visto que desprezaram o conhecimento de Deus, ele os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem o que não deviam. Tornaram-se cheios de toda sorte de injustiça, maldade, ganância e depravação. Estão cheios de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia. São bisbilhoteiros, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes e presunçosos; inventam maneiras de praticar o mal; desobedecem a seus pais; são insensatos, desleais, sem amor pela família, implacáveis.” (Romanos 1:28-31)

"Porque todo aquele que faz coisas ruins odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam reprovadas.” (João 3:20) 

A mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo. Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus.” (Romanos 8:7-8)   

Antes vocês estavam separados de Deus e, em suas mentes, eram inimigos por causa do mau procedimento de vocês.” (Colossenses 1:21)  

Esses poucos versos expressam o que é o pecado, e nossa condição diante de Deus. Em nenhum lugar na Bíblia é dito que a humanidade pecou contra a igreja, e que precisa se reconciliar com a instituição católica romana, ou quaisquer outras denominações. Esse pensamento teológico é tão-somente para que, o fiel, torne-se dependente da instituição para tudo. Até para ter seu pecado perdoado. O profº Felipe Aquino aponta que o remédio contra o pecado é praticar a Quaresma com boas obras, assim o católico está isento daquele. Veja:

Esses quarenta dias, devem ser um tempo forte de meditação, oração, jejum, esmola (“remédios contra o pecado”). É tempo para se meditar profundamente a Bíblia, especialmente os Evangelhos, a vida dos Santos, viver um pouco de mortificação (cortar um doce, deixar a bebida, cigarro, passeios, churrascos, a TV, alguma diversão, etc.) com a intenção de fortalecer o espírito para que possa vencer as fraquezas da carne.(http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2014/03/06/como-viver-bem-o-tempo-da-quaresma/)

Porém, a Bíblia ensina um único meio de sermos libertos dessa condição que leva todos a condenação. E, esse “remédio contra o pecado”, como cita o professor católico, não é realizando esmolas, jejuns, orações e nem meditando. A Bíblia apresenta esse ÚNICO medicamento:

Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados. (1 João 4:10)

Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. (1 João 2:1)

E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. (1 João 3:5)

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1 João 1:9)

E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. (1 João 2:2)

Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo seu nome vos são perdoados os pecados. (1 João 2:12)

Somente na primeira carta do Apóstolo João vimos todo o pensamento católico romano cair por terra. O legalismo sempre acompanha a teologia e as doutrinas dessa instituição. A graça de Deus pelo sacrifício de Seu Filho é posta lado a lado com as obras sacramentais criadas por clérigos, doutores e professores católicos que querem laçar seus fiéis por meio ordenanças. Vemos Pedro fulminar com essa concepção:

Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós.(1 Pedro 1:18-20)

Esse é o Evangelho pregado por Cristo e por seus Apóstolos; e, é isso que a Igreja fiel ao seu Salvador deve pregar: Que o Seu sangue – não obras de justiça, sacramentos, fidelidade a instituição --, purifica-nos de todo pecado. E isso o Senhor testemunhou fidedignamente ser a obra de Deus:

E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados...” (Apocalipse 1:5)

Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.”  (Efésios 2:13)

Ensinar que a igreja é “...a qual colabora para sua conversão com caridade exemplo e orações.” É uma heresia legalista. A graça de Deus se desfaz. Mas, para o catolicismo romano isso não importa. Em seus compêndios, dogmas e concílios, não são cridos que, o homem, é salvo pela graça de Deus em Cristo. No concílio da Contrarreforma, Trento, isso é explicitamente declarado na Sessão VI:

Cânone IX: “Se alguém disser, que o pecador se salva somente com a fé entendendo que não é requerida qualquer outra coisa que coopere para conseguir a graça da salvação, e que de nenhum modo é necessário que se prepare e previna com o impulso de sua vontade, seja excomungado.” (http://www.montfort.org.br/old/documentos/trento.html#sessao6)

Nesta passagem é negada a salvação pela fé dada como graça, como dom de Deus. Ou seja, O Senhor, por sua infinita misericórdia, nos agraciou com a fé no seu Filho, e, por meio dessa fé (que é uma dádiva divina) somos salvos. Parece redunde expressar-se dessa forma, mas é assim que a Bíblia coloca as Doutrinas da Graça: REDUNDANTEMENTE PARA QUE NÃO HAJA DÚVIDAS:

Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos).” (Efésios 2:5)

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. (Efésios 2:8)

Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos. (2 Timóteo 1:9)

Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também. (Atos 15:11)

Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens... (Tito 2:11).

Que ampla altercação entre a Bíblia e o Catolicismo! Embora a realização das obras de justiça deva ser praticada (pois somos salvos para isso - Efésios 2:10), não é por preservar a Quaresma que seremos bem vistos diante de Deus; mas, sim porque pela sua misericórdia - de antemão - nos amou e nos justificou em Cristo, concedendo-nos o perdão:

Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade. (2 Tessalonicenses 2:13)

 “Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou... (Romanos 9:23)

Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. (Romanos 8:29)

Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor... (Efésios 1:4)

Infelizmente, muitas pessoas de bom coração têm sido ludibriadas por anos. Famílias há gerações seguem tradicionalmente os costumes herdados pela cultura de nosso país. Adotam o que o clero romano vem lhes ensinando: que a igreja possui a doutrina correta, e por meio dela o fiel deve viver. Como vimos acima nessa pequena exposição, a Bíblia não coloca dessa forma, mas antes nos dá uma regra de vida cristã muito explícita; e, um único meio de termos nosso pecado expurgado:

“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (1 João 1:7)


Rômulo Lima
(Acadêmico em Teologia e Apologética Aplicada)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O QUE É IDOLATRIA?


Então os vossos sobreviventes no meio das nações por onde tiverem sido levados cativos — quando eu tiver quebrado o seu coração prostituído que me abandonara, e os seus olhos prostituídos com ídolos imundos — se lembrarão de mim. Sentirão asco de si mesmos pelo mal que fizeram, por todas as suas abominações.(Ezequiel 6:9 – Versão Católica: A Bíblia de Jerusalém)

Nesta passagem do profeta Ezequiel temos uma clara descrição do que é a idolatria. O texto nos mostra que “idolatrar” é inicialmente uma inclinação do coração – o qual expressa-se no termo “coração prostituído”. Daqui surge a disposição para feitura de imagens, que é tão-somente uma representação externa que o religioso possui no íntimo do seu ser. Daí o Senhor Jesus fazer a comparação dos “dois senhores” no Evangelho:

“Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro.” (Mateus 6:24 – Bíblia de Jerusalém)

Ninguém cultua diretamente o dinheiro, não ora para ele, nem lhe ergue altares ou templos; porém, o simples lugar que esse ocupa na mente e no coração do devoto, atribuindo-lhe segurança, estabilidade e satisfação já o faz pecar diante de Deus, tornando-o idólatra. Assim é o que ocorre no procedimento de culto do fiel católico com seus santos, anjos e a virgem Maria. Mesmo que imagens, altares e templos sejam tão-somente representações dos tais, a idolatria está disposta no interior do beato.

Segundo a Enciclopédia Católica Popular, idolatria é: É o culto (somente devido ao Deus único e verdadeiro) prestado a forças da natureza (astros, árvores, animais, fogo…) ou a ídolos fabricados pelo homem, tidos como divindades ou sua representação (politeísmo pagão). São práticas idolátricas o satanismo, a magia, a feitiçaria, a superstição. Tem também o seu quê de idolátrico o culto exagerado do dinheiro, do poder, do prazer, da raça, do Estado… Todas as formas de idolatria. Constituem pecados contra a virtude da religião, e vão contra o 1.º Mandamento da Lei de Deus.” (http://www.ecclesia.pt/catolicopedia - Verbete: Idolatria)

Já a grande Enciclopédia Católica se refere de forma mais enfática: “Etimologicamente Idolatria indica o culto Divino dado a uma imagem, mas a sua significação foi estendida para todo culto Divino dado a qualquer pessoa ou qualquer coisa...” São Tomas (Summa Theol., II-II, q. xciv) trata isso como uma espécie do gênero de superstição , que é um vício oposto à virtude da religião e consiste em dar honra Divina ( culto ) para coisas que não são Deus , ou para Deus a Si mesmo por caminho errado. A impressão específica de idolatria é a sua oposição direta ao objeto primário do Divino culto; ela confere a uma criatura a reverência devida somente a Deus.” (http://www.newadvent.org/cathen/07636a.htm - Verbete: Idolatry)

Vemos que a Bíblia vai muito mais além da declaração do Catolicismo Romano, que expressa tão-somente a inclinação exterior. Como ressaltei expondo Ezequiel, idolatria é uma tendência interna. Por isso o próprio Deus torna a declarar ao profeta:

“Quanto àqueles cujo coração se entrega a um culto detestável e a abominações, farei cair sobre as suas cabeças o seu pecado, oráculo do Senhor Iahweh. “ (Ezequiel 11:21 – Bíblia de Jerusalém).

É DO CORAÇÃO QUE BROTA OS MAUS DESÍGNIOS, AFIRMA O SENHOR:

“Com efeito, é de dentro, do coração dos homens que saem as intenções malignas: prostituições, roubos, assassinos, adultérios, ambições desmedida, maldades, malícia, devassidão, inveja, difamação, arrogância, insensatez. Todas essas coisas más saem de dentro do homem e o torna impuro” (Marcos 7:21-23 – Bíblia de Jerusalém)

Quero ressaltar que, a feitura de imagens, mesmo que representem o Deus verdadeiro é idolatria. Por isso o próprio Senhor exclamou:

“Ficai muito atentos a vós mesmos! Uma vez que nenhuma forma vistes no dia em que Iahweh vos falou no Horeb, do meio do fogo...” (Deuteronômio 4:15 – Bíblia de Jerusalém)

Essa passagem extingue qualquer tipo de pensamento e filosofias que ensinam ser imagens somente representações do que é cultuado. Se Deus vetou imagens dele, quem dirá de suas criaturas – tal como apresentei acima. O culto religioso correto é o que a Bíblia nos apresenta do início ao fim, como o Senhor Jesus confirmou:

“Replicou-lhe Jesus: "Está escrito: Adorarás ao Senhor teu Deus, e só a ele prestarás culto". (Lucas 4:8 – Bíblia de Jerusalém)

Rômulo Lima
(Acadêmico em Teologia e Apologética Aplicada)


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

DEVEMOS ORAR, CULTUAR, VENERAR E BUSCAR APARIÇÕES DE ANJOS?



"Outro Anjo veio postar-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro. Deram-lhe uma grande quantidade de incenso para que o oferecesse com as orações de todos os santos, sobre o altar de ouro que está diante do trono. E, da mão do Anjo, a fumaça do incenso com as orações dos santos subiu diante de Deus." (Apocalipse 6:3-4 - Bíblia de Jerusalém)

Este texto Bíblico de Apocalipse é um dos textos mais difíceis do livro Bíblico. E nele muitas seitas e movimentos contraditórios sustentam o culto, veneração e busca por aparições sobrenaturais. Como é de praxe dos muitos movimentos que sustentam doutrinas heterodoxas, a "eisegese", ou seja, dar ao texto Bíblico um ensino já imposto pela religião, criando assim um grande problema em tomar dogmas de fé, e de sustentá-los mesmo que contrariem outros muitos textos Bíblicos. 

Isso é típico de uma hermenêutica inclusiva, ou seja, o intérprete já chega ao texto Bíblico com o conceito que recebeu - seja ele certo ou não - e certamente não extrairá o ensino Bíblico adequado.

Vamos a Bíblia. O que está acontecendo no céu é uma representação dos procedimentos da Antiga Aliança, onde os anjos  tem a mesma função dos sacerdotes no Antigo Testamento (Cuidam do Templo, sacrificam, acendem incenso, cantam, etc)

Antes de as sete trombetas soarem, João teve uma visão de um episódio breve, com um significado claro mas com detalhes difíceis. A visão do anjo que oferece incenso no altar concorda com a verdades simples, já expressa na oração das almas dos mártires sob o altar em Apocalipse 6:9-11. Que verdades? Que o julgamento de Deus cairá sobre o mundo em resposta a oração dos santos. João viu este "anjo". Muitos comentadores têm a impressão de que este anjo deve ser o próprio Cristo, porque a Bíblia não ensina nada sobre o papel mediador dos anjos nas orações do povo de Deus. Em Daniel 9:20 e 10:10, o anjo Gabriel é "mediador", no sentido de anunciador, trazendo a Daniel a resposta à sua oração. 

Hebreus 1:14 nos fala que os anjos, estão à disposição dos santos para algum serviço. Não é MEDIAÇÃO, porque os santos são sacerdotes diante de Deus (Hebreus 1:6; 5:10), ou seja, eles têm acesso direto a Deus. Mas de alguma maneira que nós não conhecemos.

Porém isso não nos dá a entender que devemos cultuá-los; que devemos tê-los como mediadores, pois contraditaria versos Bíblicos que ensina a mediação ÚNICA e Universal de Cristo de forma latente:

"Agora, porém, Cristo possui um ministério superior. Pois é ele o mediador; de uma aliança bem melhor, cuja constituição se baseia em melhores promessas." (Hebreus 8:6 - Bíblia de Jerusalém)

"Eis por que ele é mediador de uma nova aliança. A sua morte aconteceu para o resgate das transgressões cometidas no regime da primeira aliança" (Hebreus 9:15 - Bíblia de Jerusalém)

"Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da Cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e de milhões de anjos reunidos em festa, e da assembleia dos primogênitos cujos nomes estão inscritos nos céus, e de Deus, o Juiz de todos, e dos espíritos dos justos que chegaram à perfeição, e de Jesus, MEDIADOR de uma nova aliança, e do sangue da aspersão mais eloquente que o de Abel." (Hebreus 12:22-24 - Bíblia de Jerusalém)

O "culto aos anjos” era uma das doutrinas heréticas ensinadas na Igreja de Colossos:

"Ninguém vos prive do prêmio, com engodo de humildade, de culto dos anjos, indagando de coisas que viu, inchado de vão orgulho em sua mente carnal, ignorando a Cabeça, pela qual todo o Corpo, alimentado e coeso pelas juntas e ligamentos, realiza o seu crescimento em Deus." (Colossenses 2:18 - Bíblia de Jerusalém)

 Ainda no próprio livro de Apocalipse um anjo adverte João para que ele não o adore, cultue ou venere: 

Caí então a seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: "Não! Não o faças! Sou servo como tu e como teus irmãos que têm o testemunho de Jesus. É a Deus que deves adorar!" Com efeito, o espírito da profecia é o testemunho de Jesus.” (Apocalipse 19:10 - Bíblia de jerusalém).

A Bíblia nos exorta constantemente que devemos orar somente a Deus, o único que é Onipotente e, assim, capaz de responder à oração; o único que é Onisciente e, portanto, capaz de ouvir as orações de todo o seu povo de uma só vez. 

Paulo nos adverte contra o pensamento de que outro “mediador” possa estar entre nós e Deus:

"Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus." (1 Timóteo 2:5 - Bíblia de Jerusalém)”

Quando esse procedimento (de oração aos anjos e santos) é posto em prática, estamos implicitamente atribuindo-lhes posição igual à de Deus, pois a Onisciência é um atributo divino incomunicável, ou seja, as CRIATURAS não possuem! 

Não há exemplo na Escritura de alguém orando a um anjo específico ou pedindo ajuda a anjos. Até mesmo a busca por aparições de anjos ou santos não é vista na Bíblia. Os anjos se manifestam a nós de forma que não os vemos. Buscar tais aparições parece indicar curiosidade doentia ou o desejo por uma espécie de evento espetacular em vez do amor a Deus e a devoção a ele e à sua obra.

Mesmo que os anjos tenham realmente aparecido em várias ocasiões na Escritura, com toda a certeza as pessoas a quem eles apareceram nunca procuraram essas aparições. Nosso papel é antes orar a Deus na mediação do Senhor Jesus, que é o próprio comandante das forças angelicais. Contudo, não parece errado pedir a Deus para cumprir a promessa de enviar anjos para proteger-nos, que está em sua Palavra:

"pois em teu favor ele ordenou aos seus anjos que te guardem em teus caminhos todos." (Salmos 91(92):11 - Bíblia de Jerusalém) 

Porquanto, atentando sempre que, é Jesus Cristo o mediador da Aliança ao qual pertencemos. E, é  Ele (Deus Todo-Poderoso) portanto portador do atributo de Onisciência, capaz de ouvir-nos, e interceder por nós como Sumo-Sacerdote, consumador do Excelente Sacrifício:

"Por isso é capaz de salvar totalmente aqueles que, por meio dele, se aproximam de Deus, visto que ele vive para sempre para interceder por eles." (Hebreus 7:25 - Bíblia de Jerusalém) 

Rômulo Lima
(Acadêmico em Teologia e Apologética Aplicada)

sábado, 16 de janeiro de 2016

A HISTÓRIA AFIRMADA PELA TRADIÇÃO É CORRETA (PEDRO ESTEVE EM ROMA)


Pode-se afirmar seguramente, analisando a Bíblia e a História, que Pedro jamais esteve em Roma (Ao menos no tempo assegurado pela Igreja Católica). A doutrina da tradição católica é que Pedro foi bispo em Antioquia por sete anos, alcançando depois disso o bispado de Roma, onde esteve por vinte e cinco anos, padecendo o martírio no mesmo dia em que Paulo o sofrera, no ano 67 da Era Cristã.

Conforme essa hipótese, Pedro foi o primeiro papa desde o ano 42,(http://sacraeclesia.blogspot.com.br/p/igreja.html [L' Osservatore Romano , Ano LXIII , número 12]) até a sua morte em 67 — portanto, durante 25 anos. Mas a conversão de Paulo aconteceu no ano 35, e ele mesmo diz ter estado 14 anos depois em Jerusalém, onde se encontrou com Pedro:

Catorze anos mais tarde, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também Tito comigo. (...) “Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas, reconhecendo a graça que me foi dada, deram as mãos a mim e a Barnabé em sinal de pleno acordo:” (Gálatas 2:1,9 – Versão católica: Bíblia Ave Maria).

Jerusalém seria então a sede do papado, e não Roma, e quando Paulo regressou a Jerusalém, foi para dizer que tinha a responsabilidade de evangelização dos gentios:

Ao contrário, viram que a evangelização dos incircuncisos me era confiada, como a dos circuncisos a Pedro (porque aquele cuja ação fez de Pedro o apóstolo dos circuncisos, fez também de mim o dos pagãos).” (Gálatas 2:7-8 – Versão católica: Bíblia Ave Maria). 

Outro fato: Paulo escreveu a Epístola aos Romanos em 57/58, conforme mencionado na explicação de introdução a essa carta na Bíblia Católica, sobre o imprimatur de Dom Lucas Cardeal Moreira Neves, Arcebispo de Salvador BA, Primaz do Brasil, o então presidente da CNBB – 50ª Edição que versa:

Durante a terceira viagem (57/58), enquanto se achava em Corinto, julgou ter chegado o momento de executar o ambicioso projeto. Havia concluído a tarefa de pregar o Evangelho aos pagãos do Oriente (Rm 15:19). Após levar os resultados da coleta organizada na Macedônia e na Acaia aos pobres de Jerusalém, iria a Roma e depois a Espanha (15:15-29). Por isso escreve a epístola aos Romanos a fim de prepará-los para sua visita.”

Pelos cálculos católicos, Pedro seria papa em Roma havia 15 anos (no caso da carta ser escrita em 58: 16 anos). No fim da epístola, Paulo menciona o nome de 26 pessoas suas conhecidas, com ele relacionadas, e não faz nenhuma referência a Pedro. No ano 60 (dois ou três anos mais tarde) Paulo chega preso a Roma e muitos irmãos vão recebê-lo, mas ainda não se menciona o nome de Pedro, que, "sendo papa", deveria ser conhecido pelos cristãos que lá estavam: 

Ao termo de três meses, embarcamos num navio de Alexandria, que havia passado o inverno na ilha. Este navio levava por insígnias os Dióscuros. Fizemos escala em Siracusa, onde ficamos três dias. De lá, seguindo a costa, atingimos Régio. No dia seguinte, soprava o vento sul e chegamos em dois dias a Pozzuoli. Ali encontramos irmãos que nos rogaram que ficássemos na sua companhia sete dias. Em seguida, nos dirigimos a Roma. Os irmãos de Roma foram informados de nossa chegada e vieram ao nosso encontro até o Foro de Ápio e as Três Tavernas. Ao vê-los, Paulo deu graças a Deus e se sentiu animado. Chegados que fomos a Roma, foi concedida licença a Paulo para que ficasse em casa própria com um soldado que o guardava. Três dias depois, Paulo convocou os judeus mais notáveis. Estando reunidos, disse-lhes: Irmãos, sem cometer nada contra o povo nem contra os costumes de nossos pais, fui preso em Jerusalém e entregue nas mãos dos romanos." (Atos 28:11-17 – Versão Católica: Bíblia Ave Maria). 

Paulo alugara uma casa em Roma e não procurara Pedro, "o suposto primeiro papa". É porque Pedro não estava lá. A Bíblia diz que Paulo estivera ali por dois anos: 

Paulo permaneceu por dois anos inteiros no aposento alugado, e recebia a todos os que vinham procurá-lo.” (Atos 28:30 – Versão Católica – Bíblia Ave Maria).

Nesse período, escreve várias cartas aos crentes, nas quais envia saudações de muitos irmãos sem jamais citar o nome de Pedro, ou do bispo que existisse em Roma. Quando escreveu aos Colossenses, citou o nome de diversos irmãos e acrescentou: 

Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, primo de Barnabé, a respeito do qual já recebestes instruções. (Se este for ter convosco, acolhei-o bem) Também Jesus, chamado o Justo, vos saúda. São os únicos da circuncisão que trabalham comigo no Reino de Deus. Eles se têm tornado a minha consolação." (Colossenses 4: 10-11), 

O que é isso? Vejam que Paulo não mencionou Pedro. Uma figura "importante" como o “Papa” jamais seria esquecida pelo apóstolo. E, ainda acrescentou que os únicos de origem judia em sua presença eram Aristarco, Marcos, primo de Barnabé, e Jesus, chamado justo. Algum tempo depois, Paulo foi julgado por Nero e posto em liberdade. Mais tarde escreveu: 

Em minha primeira defesa não houve quem me assistisse; todos me desampararam! (Que isto não seja imputado)." (2 Timóteo 4:16 – Versão católica: Bíblia Ave Maria). 

Mas Pedro amava a Paulo com amor cristão, reconhecia-o como um doutrinador da igreja e expressava isso abertamente. Pedro confessa em 2 Pedro 3:15: “Reconhecei que a longa paciência de nosso Senhor vos é salutar, como também vosso caríssimo irmão Paulo vos escreveu, segundo o dom de sabedoria que lhe foi dado.” 

Por que Pedro haveria de se omitir? Pelos motivos lógicos, verdadeiros e aqui demonstrados: Pedro jamais estivera em Roma. Notemos mais um fato. A segunda Epístola a Timóteo foi escrita por Paulo, em Roma, no ano 64, próximo de sua morte:

“Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima.” (2 Timóteo 4:6 – Versão Católica: Bíblia Ave Maria)

E nessa epístola ele envia saudações de muitos companheiros seus em Roma: 

Apressa-te a vir antes do inverno. Saúdam-te Êubulo, Pudente, Lino, Cláudia e todos os irmãos.” (2 Timóteo 4:21), depois de ter mencionado, no versículo 11: " Só Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, porque me é bem útil para o ministério". Ele faz mais saudações finais e ainda dessa vez não cita o nome de Pedro. Definitivamente, Pedro nunca esteve em Roma como ensina o Catolicismo.

ONDE ESTAVA PEDRO?

Tracemos um pequeno paralelo dos locais onde o Apóstolo estava. Em 45 d.C.,  encontramos Pedro sendo posto na prisão, em Jerusalém: 

E, vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender também a Pedro. Era nos dias dos Pães sem fermento. Tendo-o, pois, feito deter, lançou-o na prisão, entregando-o à guarda de quatro piquetes, de quatro soldados cada um, tencionando apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. Mas, enquanto Pedro estava sendo mantido na prisão, fazia-se incessantemente oração a Deus, por parte da Igreja, em favor dele.”  (Atos 12:3-5 – Versão Católica: A Bíblia de Jerusalém).

Em 49 d.C., ele ainda permanece em Jerusalém, participando do Concílio de Jerusalém, onde faz um discurso, porém o concílio é presidido por Tiago, irmão do Senhor, o qual dá o parecer final. Este parecer é narrado em Atos 15:13-21.

Aqui segue o discurso de Pedro no Concílio de Jerusalém:

Então, alguns dos que tinham sido da seita dos fariseus, mas haviam abraçado a fé, intervieram: diziam que era preciso circuncidar os gentios e prescrever-lhes que observassem a Lei de Moisés. Reuniram-se então os apóstolos e os anciãos para examinarem o problema. Tornando-se acesa a discussão, levantou-se Pedro e disse: "Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, aprouve a Deus, entre vós, que por minha boca ouvissem os gentios a palavra da Boa Nova e abraçassem a fé. Ora, o conhecedor dos corações, que é Deus, deu testemunho em favor deles, concedendo-lhes o Espírito Santo assim como a nós. Não fez distinção alguma entre nós e eles, purificando seus corações pela fé. Agora, pois, por que tentais a Deus, impondo ao pescoço dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem mesmo nós pudemos suportar? Ao contrário, é pela graça do Senhor Jesus que nós cremos ser salvos, da mesma forma que eles". Então, toda a assembléia silenciou. E passaram a ouvir Barnabé e Paulo narrando quantos sinais e prodígios Deus operara entre os gentios por meio deles." (Atos 15:5-12 – Versão Católica: A Bíblia de Jerusalém)

Em 51 d.C., ele esteve em  Antioquia da Síria, onde teve um desentendimento com Paulo, por ter se recusado a comer com os gentios (não judeus):

Mas quando Cefas veio a Antioquia, eu o enfrentei abertamente, porque ele se tinha tornado digno de censura." (Gálatas 2:11 – Versão Católica: A Bíblia de Jerusalém) 

Seria muito estranho o Bispo de Roma não querer ter coisa alguma a ver com os gentios. É o mesmo que o senhor Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco,  chegar ao Brasil, e ficar sempre com os judeus e desprezar os católicos.

Mais tarde, em cerca de 66 d.C, encontramos onde Pedro estava: na Babilônia, entre os judeus: “A que está em Babilônia, eleita como vós, vos saúda, como também Marcos, o meu filho...” (1 Pedro 5:13 – Versão Católica: A Bíblia de Jerusalém)

É fato de que Pedro era o apóstolo aos circuncisos (isto é, apóstolo para os judeus). Então por que estaria ele na Babilônia da Mesopotâmia? É certo que babilônia era uma cidade ativa no século 1º e 2º d.C. Isto é comprovado por textos babilônicos datados do ano 100 da era Cristã, e pela presença de judeus devotos que residiam lá, e compareceram a Jerusalém no dia do Pentecostes:

Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos vindos de todas as nações que há debaixo do céu. Com o ruído que se produziu a multidão acorreu e ficou perplexa, pois cada qual os ouvia falar em seu próprio idioma. Estupefatos e surpresos, diziam: "Não são, acaso, galileus todos esses que estão falando? Como é, pois, que os ouvimos falar, cada um de nós, no próprio idioma em que nascemos? Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frigia e da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia próximas de Cirene; romanos que aqui residem; tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, nós os ouvimos apregoar em nossas próprias línguas as maravilhas de Deus!"  (Atos 2:5-11 – Versão Católica: A Bíblia de Jerusalém)

A Dispersão dos judeus da Babilônia durou pouco, e foi apenas uma das muitas perseguições que os judeus sofreram como Flávio Josefo nos mostra. (História dos Hebreus – Antiguidades Judaicas - Livro Décimo Oitavo, Capítulos 6-12) 

A história mostra que havia muitos judeus nas áreas da Mesopotâmia no tempo de Cristo do mesmo modo como havia na Palestina. Babilônia existia como uma pequena cidade as margens do rio Eufrates no século 1º. Não é de admirar, portanto, que Pedro ali estivesse. Lembrando que Babilônia só é descrita figuradamente depois da compilação do livro de Apocalipse entre os anos 90 da era Cristã. 1ª Pedro, porém foi compilada em 65/66. 

No tempo em que os padres católicos ensinam aos seus fieis que Pedro estava em Roma, a Bíblia mostra claramente, que ele estava em um lugar diferente. A evidência é abundante e conclusiva. Quando alguém presta atenção à exata Palavra de Deus, não necessita ser ludibriado. Pedro nunca foi o Bispo de Roma.

O desespero provocado pela carência de argumentos em que se possa basear a suposta estada de Pedro em Roma é tão grande que o Papa Pio XII, em 1939, resolveu mandar proceder a escavações no subsolo da Basílica de S. Pedro no intuito de encontrar a sepultura e os ossos do Apóstolo-pescador. Vedou aos arqueólogos estranhos aos trabalhos a aproximação do local. E na sua mensagem de natal do ano de 1950, afirmou categoricamente que havia sido descoberto o "túmulo do príncipe dos Apóstolos". Deu-se tão mal, porém: o novo embuste não "colou". O próprio E. Kirschbaum, um dos dirigentes dessa escavação arqueológica, contestou o papa desesperado. Pio XII, contraditado por muitos outros arqueólogos de fama internacional, inclusive o teólogo católico A. M. Schneider, nunca mais falou sobre o assunto, que ficou encerrado como os trabalhos daquelas escavações.” (Anibal Pereira Reis:. O papa escravizará os cristãos? São Paulo: Caminho de Damasco, 1967. p. 76.)

Rômulo de Lima
(Acadêmico em Teologia e Apologética Aplicada)