terça-feira, 24 de novembro de 2015

O QUE É A ALMA?


Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma.” (Levítico 17:11 - Almeida Corrigida e Revisada Fiel) 

O ser humano possui parte cabal na escatologia Bíblica. Assim, é de suma importância apresentar um entrosamento a respeito do que é o homem e da sua composição. É muito comum mortalistas, defensores do sono da alma e aniquilacionistas tomarem textos como o supracitado, aplicando um sentido diferente. Uma desconexão hermenêutica na sustentação de que não há no homem uma parte imaterial consciente.  

Nesse aspecto da humanidade não pode haver dúvidas sobre a questão da alma e seu uso na Bíblia. Nas Escrituras um único termo pode ter significados totalmente diversos. Devemos examinar a etimologia, a semântica, o contexto cultural da época, a finalidade de um escrito, para quem foi escrito, a aplicação do que foi escrito, etc.

Tomemos a palavra "alma" e vejamos seu significado etimológico e a gama de aplicações que esse mesmo termo pode ser usado. 

No Antigo Testamento:   נפש (naphash).
No Novo Testamento: ψυχη (psyché).

O verbete "נפש" (naphash) é traduzido por "alma" mais de 500 vezes no Antigo Testamento; e, o verbete "ψυχη" (psyché) é a tradução de "alma", no Novo Testamento, mais de 30 vezes.

Vejamos alguns exemplos e aplicações desse termo tão controvertido:

ALMA COM O SENTIDO DE  “POSSUIDORA DA VIDA”, “SOPRO DE VIDA” ou “FÔLEGO DE VIDA”

Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” (Gênesis 2:7)

Nesse sentido o termo “alma”, é aplicado tanto aos homens, como aos animais irracionais:

Disse também Deus: Povoem-se as águas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus.” (Gênesis 1:20)

E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie: gado, e répteis e bestas-feras da terra conforme a sua espécie. E assim foi.” (Gênesis 1:24)

“E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez.” (Gênesis 1:30)

Nessa aplicação o termo “alma” não difere dos animais. O “fôlego de vida” dos animais é como o ser humano, pois eles também a tem no mesmo sentido. Foi justamente essa aplicação que Salomão fez o seu diagnóstico de “alma” em Eclesiastes:  

Disse ainda comigo: é por causa dos filhos dos homens, para que Deus os prove, e eles vejam que são em si mesmos como os animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade. Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão. Quem sabe se o fôlego de vida dos filhos dos homens se dirige para cima e o dos animais para baixo, para a terra?” (Eclesiastes 3:18-21)

Obviamente não se podem conferir os demais animais com o homem, porque este se constitui à imagem e semelhança de Deus:   

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gênesis 1:27)

ALMA COMO SANGUE OU ELEMENTO PRIMORDIAL DA VIDA FÍSICA:

Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.” (Gênesis 9:4)

Qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que peregrinam entre vós que comer algum sangue, contra ele me voltarei e o eliminarei do seu povo. Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida. Portanto, tenho dito aos filhos de Israel: nenhuma alma de entre vós comerá sangue, nem o estrangeiro que peregrina entre vós o comerá. Qualquer homem dos filhos de Israel ou dos estrangeiros que peregrinam entre vós que caçar animal ou ave que se come derramará o seu sangue e o cobrirá com pó. Portanto, a vida de toda carne é o seu sangue; por isso, tenho dito aos filhos de Israel: não comereis o sangue de nenhuma carne, porque a vida de toda carne é o seu sangue; qualquer que o comer será eliminado.” (Levítico 17:10-14)

Obviamente esse mesmo sentido para o termo “alma” como sinônimo de “sangue”, aplica-se também aos animais irracionais.

ALMA COM O SENTIDO DE  “ESTADO PSÍQUICO DO SER HUMANO". 

Essa aplicação refere-se aos vários estados de consciência humana:

ALMA COMO SEDE DO DESEJO E APETITE FÍSICO:

E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil.” (Números 21:5)

Porém, consoante todo desejo da tua alma, poderás matar e comer carne nas tuas cidades, segundo a bênção do SENHOR, teu Deus; o imundo e o limpo dela comerão, assim como se come da carne do corço e do veado.” (Deuteronômio 12:15 )

ALMA COMO ORIGEM DAS EMOÇÕES:

Acaso, não chorei sobre aquele que atravessava dias difíceis ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado?” (Jó 30:25)

Alegra a alma do teu servo, porque a ti, Senhor, elevo a minha alma.” (Salmos 86:4)

ALMA COMO VONTADE E AÇÃO MORAL: 

No seu conselho, não entre minha alma; com o seu agrupamento, minha glória não se ajunte; porque no seu furor mataram homens, e na sua vontade perversa jarretaram touros.” (Gênesis 49:6)

De lá, buscarás ao SENHOR, teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma.” (Deuteronômio 4:29)

É muito óbvio que o termo “alma” nesse sentido só faz a referência a seres humanos. A pessoas psicológicas! 

ALMA NO SENTIDO DE PESSOA, DE INDIVÍDUO:

E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e toda a sua fazenda, que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e vieram à terra de Canaã.” (Gênesis 12:5)

E os filhos de José, que lhe nasceram no Egito, eram duas almas. Todas as almas da casa de Jacó, que vieram ao Egito, foram setenta.” (Gênesis 46:27)

Porém qualquer que fizer alguma dessas abominações, as almas que [as] fizerem serão extirpadas do seu povo.” (Levítico 18:29)

Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá.” (Ezequiel 18:4)

ALMA COMO EXISTÊNCIA OU VIDA FÍSICA E HUMANA:

Senhor, mataram os teus profetas e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma?” (Romanos 11:3)

Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante.” (Coríntios 15:45)

Assim nós, sendo-vos tão afeiçoados, de boa vontade quiséramos comunicar-vos, não somente o evangelho de Deus, mas ainda a nossa própria alma; porquanto nos éreis [muito] queridos.” (1 Tessalonicenses 2:8)

ALMA COMO DESEJO E INTENÇÃO PSICOLÓGICA:

Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica.” (Filipenses 1:27)

Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum.” (Atos 4:32)

ALMA COMO EXISTÊNCIA APÓS A MORTE – PARTE IMATERIAL E ETERNA DO HOMEM:  

E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.” (Mateus 10:28)

Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” ( Mateus 16:26)

Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?” (Lucas 12:20)

Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam.” (Apocalipse 6:9)

É nessa última aplicação que os sustentadores de doutrinas estranhas são mais titubeantes. Dão sentidos hermenêuticos completamente distorcidos, e aplicando a “eisegese”, ou seja, levando um conceito ao texto Bíblico.  A parte imaterial e eterna do ser humano foi a causa do autor de Hebreus vociferar:

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo.” (Hebreus 9:27)

Em Cristo

Rômulo Lima
(Acadêmico em Teologia e Apologética Aplicada)

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O MITO DA PACIFICIDADE ISLÂMICA


O presidente americano, Barack Obama, em um discurso para Cúpula Internacional sobre a Violência e o Extremismo, em Washington, conservou uma gradação de abstrair as ações dos grupos extremistas, como o Estado Islâmico, do Islamismo em si. Propôs a ideia de que o Islamismo não é uma crença maligna, uma ideologia de guerra, mas sim de paz. Nesse discurso ele declarou:

"Não estamos em guerra contra o Islamismo, mas contra aqueles que pervertem o Islamismo."

De igual modo, essa declaração é sustentada pela mídia; pela política internacional de muitos países; pela ONU; por associações como o Nobel (que premiou o terrorista Yasser Arafat, em 1994, com o Nobel da paz); e, principalmente pela religião que possui mais influência no Ocidente: o Catolicismo Romano.

Durante sua visita na Albânia, o carismático Papa Francisco, (na tentativa do Ecumenismo) declarou em seu discurso:

"O clima de respeito e confiança mútua entre católicos, ortodoxos e muçulmanos é um presente precioso ao país", (...) "Isso é especialmente importante nestes tempos em que o espírito religioso autêntico vem sendo pervertido por grupos extremistas e em que diferenças religiosas estão sendo distorcidas e instrumentalizadas", (...) "Não deixem que ninguém se considere o 'guerreiro' de Deus enquanto planeja e realiza atos de violência e opressão".

O mesmo Papa pronunciou-se no dia 1/12/14 a favor do Islamismo, dizendo que o Alcorão “é um livro de paz.” Essa declaração está documentada no site da Rádio Vaticana no link: http://pt.radiovaticana.va/news/1113126

Somente ontem assistindo os telejornais (principalmente os da Globo e Globo News) ouvi inúmeras vezes a declaração: “Os extremistas pervertem a mensagem do Alcorão!!!”. O próprio Jornal Nacional expôs declarações de muçulmanos, colocando-os como vítimas marginalizadas de uma religião pacifista, devido as ações covardes de grupos extremistas. Um dos trechos da reportagem:

“Um dos principais líderes da comunidade islâmica francesa condenou os ataques. “O Islã não pode ser associado a esse tipo de ato. Temos que chamar essas pessoas pelo que são: assassinos que usam a religião apenas para justificar o injustificável", disse o chefe da Grande Mesquita de Paris. Na porta da mesquita, Nabil expõe o medo de muitos no lugar: a discriminação. "O que eles fizeram manchou os muçulmanos, todos sofreremos as consequências". (http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/11/muculmanos-da-europa-temem-o-agravamento-da-discriminacao.html)

Será que todas essas declarações realmente condiz com a cosmovisão islâmica, e com o que a religião propaga desde Maomé e a suposta revelação corânica e o regime dos califas? Veremos.

Há no ocidente uma forte tendência ao pluralismo e ao relativismo entranhada em nossa cultura. Uma grande facilidade a aceitações de credos, fés e ideologias como se tudo pudesse conviver pacificamente, sem haver confrontos de ideias. Muitos sem ao menos conhecerem as verdades fatuais, abraçam esse conceito devido a visão de autoridades, líderes religiosos e imprensa.

MAOMÉ: PERSONALIDADE BIPOLAR – O PACIFISTA ASSASSINO

O Islamismo sofre um grande transtorno bipolar, isso porque a pessoa do seu fundador, o “profeta” Maomé, também o passava. Se analisarmos a vida do fundador do Islã, veremos que há dois momentos cruciais na história, onde o mesmo, apresenta-se de forma totalmente distinta uma da outra. Pela ocasião em que Maomé arrazoou abordando sua nova crença, entendendo ser um “mensageiro de Alá”, ele foi duramente perseguido e odiado por muitos de Meca (cidade onde nasceu em 25 de abril de 571 A.D), pois a sua mensagem era oposta às religiões politeístas do povo, no período em que vivera naquela região.

O encalço contra a mensagem monoteísta, pacifista e religiosa do “profeta” foi freneticamente intenso. Grupos dentro da cidade procuravam tirar-lhe a vida. Tentavam calar sua mensagem, devido ela ser totalmente contra ao modo pervertido em que viviam. Maomé era um religioso devoto, generoso e fiel em ofertas aos pobres. Mesmo em temeridade da sua própria vida, e estando em vigília da escolta devotada dos primeiros muçulmanos para protege-lo - inclusive sob vigilância armada -, a ordem de “Deus” em Meca foi para que ele permanecesse longânime, e não empregasse hostilidade para com os seus contrários.

Após dura perseguição em Meca, alguns dos seus seguidores foram enviados para refúgio na Etiópia. Outros seguiram para uma cidade mais ao norte, Yathiib, onde as pessoas de duas tribos árabes queriam que Maomé fosse também o profeta deles.

O “profeta” viu-se obrigado a fugir de Meca para Medina, sua vida estava totalmente em risco. Lá viveu como líder religioso e político. Sua mensagem cresceu, e seu poderio militar também. Enquanto Maomé habitou em Meca, ele não recebeu nenhuma mensagem “divina” que autorizava a guerrilha armada. Mas, em Medina o meio de sobrevivência de Maomé era o saque. Seu grupo passou a invadir e roubar as caravanas que ali trafegavam, para sustentar todos os seguidores. Isso é confirmado por seu biógrafo mais próximo: Ibn Ishaq: “O próprio profeta tomou parte em 27 invasões bélicas.(Ibn Ishaq, Sirat Rasul Allah – The Life of Muhammad – Tradução A. Guillaume [New York: Oxford Universety Press, 1980] página 659).

Contudo, a seguir, conforme os muçulmanos, a guerra passou a ser admitida pelo suposto “Deus” (Alá)  em Medina, existindo com isso uma altercação dentre os próprios muçulmanos sobre “qual capítulo do Alcorão realmente retratava esta primeira ordem divina para o uso da força” (Ibn Ishaq, Sirat Rasul Allah – The Life of Muhammad – Tradução A. Guillaume [New York: Oxford Universety Press, 1980] página 675).

Após as mensagens “proféticas” em Medina, deu-se início ao terror. Os seguidores cresciam, e o império da morte passava a ser instalado. Pessoas eram assassinadas por pregarem contra Maomé, os que não aceitavam e abandonavam o islamismo caíram aniquilados sem piedade. Judeus, cristãos e desertores do Islã tiveram suas vidas ceifadas pelo próprio “profeta” e seus fieis seguidores:

Então eles se renderam, e o profeta Maomé os confinou em Medina (...) quando o profeta Maomé saiu do mercado em Mediana, cavou trincheiras aos seus arredores. Então, ele os chamou e os decapitou, usando-os nas construções das trincheiras. (...) Havia ao todo seiscentos, ou setecentos, apesar de alguns qualificarem algo de acordo com oitocentos ou novecentos.(Ibn Ishaq, Sirat Rasul Allah – The Life of Muhammad – Tradução A. Guillaume [New York: Oxford Universety Press, 1980] página 464).

A brutalidade passou a ser comum na cosmovisão de Maomé, sendo passada a todos os fieis e os califas sucessores. Um homem chamado Uqba, à beira da morte pelos muçulmanos, esboçou preocupação por seus filhos, bradou: “Quem cuidará das minhas crianças, ó Maomé?” O “profeta” respondeu ao homem condenado que o inferno tomaria conta delas. (Ibn Ishaq, Sirat Rasul Allah – The Life of Muhammad – Tradução A. Guillaume [New York: Oxford Universety Press, 1980] página 464).

Há muitos outros exemplos na biografia do fundador do islamismo, porém me deterei nesses trechos e passarei a expor o que o Alcorão diz sobre a Jihad.

O ALCORÃO PROPAGA A PAZ OU A GUERRA?

Um dos pilares do islamismo é conhecido como Jihad (A Guerra Santa). A palavra árabe Jihad significa "em­penho", e isso pode ser aplicado no empenho do caminho de Deus, no contexto islâmico. Qualquer empenho no sentido de propagar a fé islâmica com os recursos da educação, da tecnologia e outros recursos intelectuais pode se adaptar nessa palavra. Porém, o que mais o Alcorão prega é o sentido de guerra armada. Vejamos os textos que extraí do Alcorão no site da Comunidade Islâmica na Web (http://myciw.org/modules.php?name=Alcorao):

Matai-os onde quer se os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a perseguição é mais grave do que o homicídio. Não os combatais nas cercanias da Mesquita Sagrada, a menos que vos ataquem. Mas, se ali vos combaterem, matai-os. Tal será o castigo aos incrédulos.”  (Surata 2:191)

Obedeça a Deus e ao Mensageiro. Mas, se se recusarem - então, de fato, Deus não gosta dos descrentes.” (Surata 3:32) 

Infundiremos terror nos corações dos incrédulos, por terem atribuído parceiros a Deus, sem que Ele lhes tivesse conferido autoridade alguma para isso. Sua morada será o fogo infernal. Quão funesta é a morada dos iníquos!” (Surata 3:151)

Esse texto é especificamente contra os cristãos e a doutrina ortodoxa da Trindade.

O castigo, para aqueles que lutam contra Deus e contra o Seu Mensageiro e semeiam a corrupção na terra, é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo.” (Surata 5:23)

São blasfemos aqueles que dizem: Deus é um da Trindade!, portanto não existe divindade alguma além do Deus Único. Se não desistirem de tudo quanto afirmam, um doloroso castigo açoitará os incrédulos entre eles. (Surata 5:73)

Outro texto claro contra cristãos. A princípio o Islamismo odeia a mensagem cristã. Pois consideram-na a pior das perversões contra Deus.

“Constatarás que os piores inimigos dos fiéis, entre os humanos, são os judeus e os idólatras. Constatarás que aqueles que estão mais próximos do afeto dos fiéis são os que dizem: Somos cristãos! porque possuem sacerdotes e não ensoberbecem de coisa alguma.” (Surata 5:82)

Aqui vemos o alimento ao ódio ao povo judeu (antissemitismo), e o termo “idolatra” na maioria das vezes que o Alcorão o emprega, é designado aos cristãos em geral, por adorarmos a Cristo Jesus como Deus (A Segunda Pessoa da Trindade) que se fez carne.

Distancia-te daqueles que tomam a religião por jogo e diversão, a quem ilude a vida terrena, e relembra-lhes que todo o ser será penitenciado pelo que cometer e não terá, além de Deus, protetor, nem intercessor algum; e ainda que ofereça qualquer resgate, não lho será aceito. Os ignóbeis serão entregues ao tormento, pelo que cometeram, e terão, por bebida, água fervente e um doloroso castigo, por sua ignomínia.” (Surata 6:70)

O contexto dessa passagem mostra a ordenança de total afastamento para com os cristãos e a cultura ocidental. Podemos ver isso logo no primeiro verso, que a Surata de número 6 Al An’an (o gado) já se inicia referindo-se subliminarmente contra o Cristianismo:

“Louvado seja Deus que criou os céus e a terra, e originou as trevas e a luz. Não obstante isso, os incrédulos têm atribuído semelhantes ao seu Senhor." (Surata 6:1)

A doutrina Bíblica Cristã que atribui ao Filho e ao Espírito Santo a similaridade e o compartilhamento de uma Única essência divina.

Quantas cidades temos destruído! Nosso castigo tomou-os (a seus habitantes) de surpresa, enquanto dormiam, à noite, ou faziam a sesta.” (Surata 7:4)

Mas quanto os meses sagrados tiverem transcorrido, matai os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os; porém, caso se arrependam, observem a oração e paguem o Zakat, abri-lhes o caminho. Sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.” (Surata 9:5)

O Zakat é um valor a ser pago numa escala mínima de 2,5% das entradas financeiras, 5% dos produtos agrícolas, 10% de todos os bens importados. Era o que o convertido ao Islã tinha que “oferecer” para a liderança doar aos pobres ou para causas religiosas, incluindo a Guerra Santa muçulmana (Jihad).

A Surata de número 9 é uma das mais violentas. Ela trata do arrependimento e conversão ao Islã e a punição dos infiéis. Chama-se "At Taubah" (O arrependimento). Ela prossegue:

“Combatei-os! Deus os castigará, por intermédio das vossas mãos, aviltá-los-á e vos fará prevalecer sobre eles, e curará os corações de alguns fiéis...” (Surata 9:14)

Combatei aqueles que não creem em Deus e no Dia do Juízo Final, nem abstêm do que Deus e Seu Mensageiro proibiram, e nem professam a verdadeira religião daqueles que receberam o Livro [judeus e cristãos], até que, submissos, paguem o Jizya.” (Surata 9:29).

Jizya é um imposto per capita cobrado a uma parte dos cidadãos não muçulmanos de um estado islâmico. Ou seja, aqueles que não são islâmicos, não forem mortos e quiserem residir em um país de fundamentação islâmica, deve ser sujeito a esse imposto.

Ó fiéis, em verdade, muitos rabinos e monges fraudam os bens dos demais e os desencaminham da senda de Deus. Quanto àqueles que entesouram o ouro e a prata, e não os empregam na causa de Deus, anuncia-lhes (ó Mohammad) um doloroso castigo.” (Surata 9:34)

Ó Profeta, combate os incrédulos e os hipócritas, e sê implacável para com eles! O inferno será sua morada. Que funesto destino!” (Surata 9:73)

Juram por Deus nada terem dito (de errado); porém, blasfemaram e descreram, depois de se terem islamizado. Pretenderam o que foram incapazes de fazer, e não encontraram outro argumento, senão o de que Deus e Seu Mensageiro os enriqueceram de Sua graça. Mas, se se arrependerem, será melhor para eles; ao contrário, se se recusarem, Deus os castigará dolorosamente neste mundo e no outro, e não terão, na terra, amigos nem protetores.” (Surata 9:74)

Deus cobrará dos fiéis o sacrifício de seus bens e pessoas, em troca do Paraíso. Combaterão pela causa de Deus, matarão e serão mortos. É uma promessa infalível, que está registrada na Tora, no Evangelho e no Alcorão. E quem é mais fiel à sua promessa do que Deus? Regozijai-vos, pois, a troca que haveis feito com Ele. Tal é o magnífico benefício.” (Surata 9:111)

No verso acima segue uma mentira desmedida! Em nenhuma parte da Torá (Pentateuco - os 5 Primeiros livros da Bíblia escritos por Moisés) e dos Evangelhos se lê isso. Somente no Alcorão.

É inadmissível que o Profeta e os fiéis implorem perdão para os idólatras, ainda que estes sejam seus parentes carnais, ao descobrirem que são companheiros do fogo.” (Surata 9:113)

(Ah, se tu pudesses vê-los) quando lhes forem postas as argolas nos pescoços, e forem arrastados com as cadeias.” (Surata 40:71)

Até à água fervente! Logo serão combustível para o fogo.”  (Surata 40:72)

Essas duas passagens é claramente exposta um trato violento para com os infiéis.

E quando vos enfrentardes com os incrédulos, (em batalha), golpeai-lhes os pescoços, até que os tenhais dominado, e tomai (os sobreviventes) como prisioneiros. Libertai-os, então, por generosidade ou mediante resgate, quando a guerra tiver terminado. Tal é a ordem. E se Deus quisesse, Ele mesmo ter-Se-ia livrado deles; porém, (facultou-vos a guerra) para que vos provásseis mutuamente. Quanto àqueles que foram mortos pela causa de Deus, Ele jamais desmerecerá as suas obras.” (Surata 43:4)

Não fraquejeis (ó fiéis), pedindo a paz, quando sois superiores; sabei que Deus está convosco e jamais defraudará as vossas ações.” (Surata 47:37)

Mohammad é o Mensageiro de Deus, e aqueles que estão com ele são severos para com os incrédulos, porém compassivos entre si.” (Surata 48:28)


Percebemos que todas essas declarações não condiz com o que os líderes islâmicos (pacifistas), a imprensa, órgãos governamentais e autoridade dos países ocidentais, e o Catolicismo Romano afirmam.

Como é possível uma religião que diz pregar a paz e ter boa convivência com os não-islâmicos perseguir e maltratar milhares de pessoa em todo o mundo? Não há um paralelo entre o comportamento dos atuais muçulmanos (ditos extremistas), a história do fundador e seu “livro sagrado”? Claro que sim.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na cosmovisão islâmica há o seguinte pensamento: "Deus estabeleceu ao longo da história, três religiões: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo". Eles creem que Deus primeiro enviou Moisés para estabelecer o judaísmo, mas os judeus foram desobedientes, Ele os dispersou pelo mundo todo e enviou a Jesus, para estabelecer o Cristianismo. Porém no século V o Cristianismo se corrompeu tanto, que Deus enviou a Maomé para estabelecer o Islã (sua revelação final). Os islâmicos entendem que o Islã incluem tanto o Judaísmo como o Cristianismo e dizem ainda que Abraão era muçulmano. Em sua ideologia, tudo é islamismo.

O maior conselho que tenho a oferecer aos leitores dessa matéria é: não comprem a ideia que vos está sendo divulgada, de que o Islamismo autêntico prega a paz. Os pacifistas dessa religião escolheram ser assim, não por aprenderem no Islamismo, mas por consciência.

Não estamos lidando só com religiosos simplesmente, mas com pessoas que vivem uma religião/política de maneira fanática. É nesse aspecto que precisamos tomar os devidos cuidados. E, ainda com a imprensa, autoridades mundiais e o Catolicismo Romano com sua influência sócio-política, fazendo declarações que não condizem com a verdade sobre o Islamismo, dentre pouco o Islã pode ter um crescimento elevadíssimo no Ocidente, tal como no Oriente, porquanto essa seita é a religião que mais ascende no mundo (daí pressionarem tanto a Europa para estabelecer-se na região).

O que devemos ter em nossa mente é que religiões são criadas por homens. O Cristianismo não é uma igreja, e é bem mais que fé: é uma cosmovisão, uma filosofia de vida. E, essa é a mensagem que os muçulmanos também devem aceitar, que devemos influenciá-los – não sermos influenciados. A mensagem que o querido apóstolo João nos deixou:

Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus (...) Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. (1 João 4: 1-2 e 8-9 – Versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel)

Rômulo Lima
(Acadêmico em Teologia e Apologética Aplicada)

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

OS SACRAMENTOS E A SALVAÇÃO

        
...Sabendo, entretanto, que o homem não se justifica pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da Lei, porque pelas obras da Lei ninguém será justificado.” (Gálatas 2:16 – Versão Católica: A Bíblia de Jerusalém)

A intenção de Paulo ao escrever aos Gálatas era desmitificar uma crença que sondava determinadas igrejas, um “outro evangelho” que estava sendo pregado por judaizantes. Nesta pregação, seus “mestres” exigiam que os crentes gentios passassem por certas práticas judaicas (ex. circuncisão, guarda do sábado, etc.) para com isso obter justificação diante de Deus. Tais indivíduos insistiam que os crentes deveriam não apenas crer em Cristo como Salvador, mas também praticar as obras dispostas na Lei de Moisés. Vemos nesse simples versículo que o apóstolo rechaçou essa ideia legalista, e expôs em todo contexto da carta que escrevera: que as obras da lei de maneira nenhuma poderiam cooperar e justificar o crente diante de Deus.

O cerne das doutrinas do catolicismo romano estão dispostas em algumas práticas, a saber, os Sacramentos. Mas o que são eles? Nesse tópico vamos conhecê-los, e examinar seus conceitos segundo o catolicismo, e com isso analisar o que a Bíblia diz sobre o consideração formulada pela teologia romana. Segundo o profº Felipe Aquino: 

Os Sacramentos são os canais por onde flui a salvação de todos os homens, que Cristo conquistou com a Sua Morte e Ressurreição. Eles se relacionam intimamente com Cristo, com a Igreja e com toda a Liturgia. Há em todos eles um denominador comum, que é o conceito de sinal (seméion, em grego) eficiente ou sinal que realiza o que ele assinala. A santíssima humanidade de Cristo é o grande sinal eficiente, transmissor da graça; também a Igreja, como Corpo de Cristo prolongado na história dos homens (cf. Cl 1, 24) e a Liturgia, com seus ritos sagrados, continuam essa função. Cristo toca o cristão pelos Sacramentos não apenas de maneira psicológica ou afetiva, mas de uma forma concreta.” (http://www.catequisar.com.br/texto/materia/fe/491.htm#sthash.XjP42Xqo.dpuf)  

É nesse pensamento que todos os clérigos, doutores, mestres e professores do catolicismo seguem. Que, os sacramentos são essenciais na obra salvífica de Cristo. E, que os tais são necessários para continuarem a transmitir a graça de Deus: “Os Sacramentos são os canais por onde flui a salvação de todos os homens, que Cristo conquistou com a Sua Morte e Ressurreição.”  E: “A santíssima humanidade de Cristo é o grande sinal eficiente, transmissor da graça; também a Igreja, como Corpo de Cristo prolongado na história dos homens (cf. Cl 1, 24) e a Liturgia, com seus ritos sagrados, continuam essa função.” Ou seja, sem os sacramentos a graça da obra de Cristo não pode ser comunicada ao fiel.

A Doutrina da Salvação – em teologia chamada de Soteriologia -, É sem dúvida uma das doutrinas mais importantes da Bíblia e a finalidade principal que esta foi escrita: A Palavra de Deus é uma obra intrinsecamente soteriológica. Vejamos as declarações oficiais dessa religião sobre a visão de salvação, e perceberemos que todas seguem a  citação do profº Felipe Aquino. Notemos algumas formulações católicas. No livro Fundamentals of Catholics Dogma (Fundamentos dos Dogmas Católicos), o Drº Ludwig Ott observa:

 "Os sacramentos são os meios apontados por Deus para se alcançar a salvação eterna. Três deles são tão necessários na forma ordinária da salvação que sem o uso deles a salvação não pode ser alcançada [isto é, o batismo, a penitência, as santas ordens].” (Ludwig Ott, Fundamentals of Catholic Dogma - Rockford, IL: Tan Books, 1974, Pg. 340-341)

Ratificando o que o Drº Ludwig Ott esclareceu, segue o exemplo nos seguintes textos: 

A Igreja afirma que para os crentes os sacramentos da nova aliança são necessários à salvação. A “graça sacramental” é a graça do Espírito Santo dada por Cristo e peculiar a cada sacramento. O Espírito cura e transforma os que o recebem, conformando-os com o Filho de Deus. O fruto da vida sacramental é que o Espírito de adoção deifica os fiéis unindo-os vitalmente ao Filho único, o Salvador.” (Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 1129)

Vemos que o compêndio doutrinário católico diz ser: “... para os crentes os sacramentos da nova aliança são necessários à salvação.” Tendo em vista que a graça santificadora do Espírito Santo só pode ser concedida ao fiel por meio deles: “A ‘graça sacramental’ é a graça do Espírito Santo dado por Cristo e peculiar a cada sacramento. O Espírito cura e transforma os que o recebem...” 

Vejamos outro parágrafo do catecismo: 

O Senhor mesmo afirma que o Batismo é necessário para a salvação. Também ordenou a seus discípulos que anunciassem o Evangelho e batizassem todas as nações. O Batismo é necessário, para a salvação, para aqueles aos quais o Evangelho foi anunciado e que tiveram a possibilidade de pedir este sacramento. A Igreja não conhece outro meio senão o Batismo para garantir a entrada na bem aventurança eterna; é por isso que cuida de não negligenciar a missão que recebeu do Senhor, de fazer “renascer da água e do Espírito” todos aqueles que podeis ser batizados. Deus vinculou a salvação ao sacramento do Batismo, mas ele mesmo não está vinculado a seus sacramentos.” (Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 1257)

Segundo o catolicismo no texto supracitado vemos que as obras devem ser realizadas, pois a igreja romana diz que Cristo ordenou o batismo como meio de salvação; que não há outro meio de se garantir a bem-aventurança eterna senão o batismo; e, que Deus vinculou a salvação ao sacramento. Segundo o texto Bíblico que comecei essa sessão, será que as declarações católicas são verídicas? Creio que não! Pois a Bíblia diz: “porque pelas obras da Lei ninguém será justificado.” E esse é o núcleo da salvação ensinada em toda a Bíblia:

Porque diante dele ninguém será justificado pelas obras da Lei, pois da Lei vem só o conhecimento do pecado.” (Romanos 3:20 – Bíblia de Jerusalém)

...e são justificados gratuitamente, por sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus.” (Romanos 3:24 – Bíblia de Jerusalém)

Onde está, então, o motivo de glória? Fica excluído. Em força de que lei? A das obras? De modo algum, mas em força da lei da fé. Porquanto nós sustentamos que o homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei.” (Romanos 3:27-28 – Bíblia de Jerusalém)

Por conseguinte, a herança vem pela fé, para que seja gratuita e para que a promessa fique garantida a toda a descendência, não só à descendência segundo a Lei, mas também à descendência segundo a fé de Abraão, que é o pai de todos nós...” (Romanos 4:16 – Bíblia de Jerusalém)

Quanto mais, então, agora, justificados por seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” (Romanos 5:9 – Bíblia de Jerusalém)

Ora, se Abraão foi justificado pelas obras, ele tem do que se gloriar. Mas não perante Deus. Que diz, com efeito, a Escritura? Abraão creu em Deus, e isto lhe foi levado em conta de justiça.” (Romanos 4:2-3 – Bíblia de Jerusalém)

Tendo sido, pois, justificados pela fé, estamos em paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.” (Romanos 5:1-2 – Bíblia de Jerusalém)

...ao passo que Israel, procurando uma lei de justiça, não conseguiu esta Lei. E por quê? Porque não a procurou pela fé, mas como se a conseguisse pelas obras. Esbarraram na pedra de tropeço...” (Romanos 9:31-32 – Bíblia de Jerusalém)

E se é por graça, não é pelas obras; do contrário, a graça não é mais graça.” (Romanos 11:6 – Bíblia de Jerusalém)

 “E que pela Lei ninguém se justifica diante de Deus é evidente, pois o justo viverá pela fé.” (Gálatas 3:11 – Bíblia de Jerusalém)

Assim a Lei se tornou nosso pedagogo até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé.” Gálatas 3:24 – Bíblia de Jerusalém)

Pela graça fostes salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é o dom de Deus.” (Efésios 2:8 – Bíblia de Jerusalém)

...a fim de que fôssemos justificados pela sua graça, e nos tornássemos herdeiros da esperança da vida eterna.” (Tito 3:7 – Bíblia de Jerusalém)

Eis a grande questão: A visão católico romana não reparte a glória de Deus na salvação com as obras? Claro que sim! Mesmo que 99% da minha fé estejam na obra de Cristo, e o outro 1% nos sacramentos da igreja, estarei errado, e, depositando uma parte da salvação em outros métodos senão os da graça de Deus. 

Os membros devotos ao catolicismo não examinam os preceitos de sua igreja com respeito à definição de termos bíblicos porque a Igreja Católica enfatiza que: "sobre o Livro (a Bíblia) está a Igreja..." (Anne Fremantie, The Papal Encyclicals in Their Historícal Context: The Teachings of the Popes [New York: New American Library/Mentor, pg. 196]). 

O Catolicismo tem a autoridade final sobre a Bíblia; assim sendo, a explicação que ela faz da Palavra de Deus é a única permitida (para seus fieis). Concluindo, a interpretação que a igreja faz dos termos bíblicos – não a que a própria Bíblia apresenta - é a que prevalece. Então não há outra forma de potencializar tal ensinamento do que atribuindo a si a suprema autoridade divina:

"O Concílio Vaticano II em seu Decreto sobre o Ecumenismo explicita: 'Pois somente através da Igreja Católica de Cristo, auxílio geral de salvação, pode ser atingido toda a plenitude dos meios de salvação'." (Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 816)

Isso faz com que, o magistério da igreja um organismo doutrinador vivo, enxerte constantemente ensinamentos errôneos na mente dos fiéis. Estão anatematizando (tornando divinamente amaldiçoando) quem crê na salvação exclusivamente pela fé, ou seja, quem crê na salvação que a Bíblia ensina. 

Se alguém diz que o pecador é justificado pela fé somente, significa que nada mais é requerido para cooperar para obter a graça da justificação... seja ele anátema... “Se alguém diz que a justificação pela fé é nada mais do que confiar na misericórdia divina, a qual remete pecados para a obra de Cristo, ou que é essa confiança somente que nos justifica, seja ele anátema” (Concílio de Trento, 6th sessão. can. 9, 12) 

A Igreja Católica Romana corrompeu a doutrina da justificação confundindo-a com a doutrina da santificação. O teólogo reformado Louis Berkhof dissertou sobre a justificação e santificação de forma muito feliz. Analisando biblicamente a questão, apresentou-as da seguinte forma: 

Justificação é um ato judicial de Deus, no qual Ele declara, sob a base da justiça de Jesus Cristo, que todas as reivindicações da lei estão satisfeitas com respeito ao pecador (...) Santificação pode ser definida como aquela graciosa e contínua operação do Espírito Santo, pela qual Ele retira os pecadores justificados da poluição do pecado, renova sua completa natureza à imagem de Deus, e os capacita a desenvolver boas obras” (Louis Berkhof, Systematic Theology [Grand Rapids: Eerdmans, 1965], Pg. 513, 532.) 

Segundo a Bíblia, depois que alguém é tornado justo perante Deus, mediante a exclusividade da graça, ele inicia um processo de santificação por toda a vida, no qual se desenvolve em santidade e obediência à lei de Deus. Resumindo: praticamos boas obras por sermos salvos e justificados gratuitamente por Deus, e por isso nos santificamos com as tais; não praticamo-las para sermos salvos e justificados, atribuindo as obras meio de graça diante de Deus.  

Vemos que a salvação apresentada pela Igreja Católica Romana é sacerdotal e sacramentalista. Esta possui uma Soteriologia mediada através dos sacramentos da igreja, que são conduzidos pelos sacerdotes. A participação nos sacramentos e imprescindível para a salvação; ainda e por meio dessa participação que a vida sobrenatural da nova criatura em Cristo é comunicada ao católico fiel.

Esta igreja maquia a salvação de Deus com uma característica ortodoxa: “Nossa justificação vem da graça de Deus. A graça é favor, o socorro gratuito que Deus nos dá para responder a seu convite: tomar-nos filhos de Deus, filhos adotivos participantes da natureza divina, da Vida Eterna.” (Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 1996).

Essa declaração soa em conformidade com a Bíblia, porém em outros pontos se contradiz e distorce essa mesma graça:

Os sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Ordem conferem, além da graça, um caráter sacramental ou “selo” pelo qual o cristão participa do sacerdócio de Cristo e faz parte da Igreja segundo estados e funções diversas. Esta configuração com Cristo e com a Igreja, realizada pelo Espírito, é indelével, permanece para sempre no cristão como disposição positiva para a graça, como promessa e garantia da proteção divina e como vocação ao culto divino e ao serviço da Igreja. Por isso estes sacramentos nunca podem ser reiterados.” (Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 1121).

Pelos sacramentos da iniciação cristã; Batismo, Confirmação e Eucaristia são lançados os fundamentos de toda vida cristã. “A participação na natureza divina, que os homens recebem como dom mediante a graça de Cristo, apresenta certa analogia com a origem, o desenvolvimento e a sustentação da vida natural. Os fiéis, de fato, renascidos no Batismo, são fortalecidos pelo sacramento da Confirmação e, depois, nutridos com o alimento da vida eterna na Eucaristia. Assim, por efeito destes sacramentos da iniciação cristã, estão em condições de saborear cada vez mais os tesouros da vida divina e de progredir até alcançar a perfeição da caridade.” (Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 1212)

Vemos que no Catolicismo os sacramentos são os canais da graça salvadora. Os ministros ordenados da igreja católica constituem o elo entre os fiéis e os apóstolos, que supostamente receberam de Cristo o seu Espirito, para agir em seu nome e cumprir a missão de salvação. Na teologia católica é necessário que o cristão seja unido com Cristo, e isso acontece por meio dos sacramentos. E principalmente por meio do sacramento da eucaristia que tal união e realizada. Vejamos:

A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã”. “Os demais sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa.” (Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 1324)

Por isso, a participação na Missa é de suma importância para o católico conseguir sua salvação. Ao tomar a Eucaristia, ele supostamente entra em comunhão com Cristo. Em resposta a essa pequena mostra de que a salvação oferecida pela Igreja Católica constitui-se completamente em desconformidade com os padrões de Deus na Bíblia, o apóstolo Paulo nos ensina:

Assim também no tempo atual constituiu-se um resto segundo a eleição da graça. E se é por graça, não é pelas obras; do contrário, a graça não é mais graça.” (Romanos 11:5-6 – Versão Católica: A Bíblia de Jerusalém) 

Rômulo Lima
(Acadêmico em Teologia e Apologética Aplicada)